domingo, 1 de setembro de 2019

#3 - Armadilha de Tucídides: China x Estados Unidos


A China que desde o início do século 21 teve um crescimento gigantesco da sua economia, criando um mercado consumidor de padrão capitalista e um parque industrial que em escala superou e desempregou em parte o ocidente, logo realizará seu projeto de superpotência do século XXI.
Mas os mares ao sul da China nunca estiveram tão quentes. A política americana contemporânea tornou-se o principal empecilho de freio em um provável futuro inevitável: os Estados Unidos como segunda superpotência mundial, perdendo seu posto conquistado ao fim da 1ª Guerra Mundial. 

Os anos dourados entre a China e os Estados Unidos. 

A China dos anos 90 emergia como um poder econômico importantíssimo na nova economia mundial pós Guerra Fria. Seu mercado consumidor crescente tornou-se atraente nas aberturas promovidas pelo liberalismo de Clinton até alcança o estágio de ameaça considerável ao poder americano no final do governo Bush e Obama. 

O crescimento mundial até 2008 amenizou a perigosa desindustrialização pesada que a indústria americana clássica sofreu nos setores de automobilismo, eletrônicos e bens de consumo. Os empregados das industrias do norte dos Estados Unidos, principalmente a região dos grandes lagos, que garantiu a vitória de Trump em 2016.

A revoltada da classe trabalhadora que via seus pais e avôs trabalharem em indústrias e construírem um considerável estilo de vida não encontra agora situação semelhança. A estratégia eleitoral mirando estes setores historicamente democratas desde o governo Roosevelt. 

A História apesar de muitos acreditarem de possuir um caráter inerente didático, pouco ensina como experiência, mas nos lega exemplos - ou indícios, de como podemos analisar essa relação de um conflito em um horizonte futuro.



Frotas das marinhas americanas e chinesas. nos próximos anos a China finalmente conseguirá colocar-se como um oponente militar respeitável também nos oceanos

Vamos ao passado e a Tucídides. Dos gregos temos um exemplo. Tucídides (460-400 a.c.) é um dos patronos do ofício dos historiadores e nos seus relatos encontramos aquilo que os estudiosos da arte da guerra e geopolítica chamam de "armadilha de Tucídides", objetivamente descrita dessa forma:


Inevitabilidade da guerra entre uma potencia 
em ascensão contra uma potência estabelecida

Como Atenas e Esparta, os Estados Unidos, a potência estabelecida, e a China, a potência em ascensão,  caminham para um conflito inevitável. Trata-se de uma projeção, uma tese, hoje há diversos organismo e agentes internacionais que coíbem conflitos em grande escala entre as potências, especialmente a capacidade nuclear como o limite entre as decisões mais extremas.

A China e Estados Unidos são as estados que mais comercializam no mundo, um conflito entre estas seria arrasador na economia tão interligada como a atual. Trump invoca a imagem de uma China predatória sobre a industria americana, patrocinada por décadas de governos não "patrióticos" como o dele, a China em sua defesa coloca como seu direito e dever natural desenvolver o país. Impossível apontar um cenário com A, B ou C de possibilidades, mas um pequeno descontrole nas negociações atuais ou uma exagerada taxação sobre produtos do seu rival pode ligar o sinal vermelho de um conflito agora no campo militar e este que já está claramente tendenciado para isso. Importante lembrar que até véspera da invasão alemã na União Soviética em 1941, trens levavam cargas entre os dois países.

Países como as Filipinas, Japão, Vietnã, Taiwan, Índia, Austrália e as Coreias assistem como espectadores que logo podem ser engolidos em uma escalada dos conflitos comerciais. Os resultados dessa incrível tensão entre essas duas potências militares estão deixando cada vez mais claras os possíveis conflitos que podem ser criados nos mares ao sul da China.

A China avança em ritmo acelerado e pelos resultados dos entraves comerciais entre Estados Unidos sob Trump e a China a posição de pelo menos de superpotência econômica será alcançado nas próximas duas ou talvez três décadas que se aproximam. 

Como nos século 14 e 15, a China finalmente conseguirá criar sua rede de estados tributários ao seu monumental mercado interno de 1 bilhão e meio de consumidores e presenciaremos pela primeira vez em mais de 200 anos que valores "ocidentais" como a democracia e a economia liberal suplantadas por uma cultural oriental.


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